Como soltar o peixe corretamente no catch and release, o pescador deve reduzir o tempo de briga, manter as mãos molhadas, evitar tocar nas brânquias, retirar o anzol com o mínimo de manipulação e devolver o animal à água somente quando ele recuperar o equilíbrio e nadar por conta própria. O procedimento começa antes da fisgada, com equipamento adequado, passaguá seguro e ferramentas de soltura prontamente disponíveis.
O pesque e solte não consiste apenas em devolver o peixe à água. A captura pode provocar exaustão, perda de muco protetor, lesões na boca, danos nas nadadeiras, dificuldade respiratória e estresse fisiológico. Quando o animal é fotografado por muito tempo, arrastado no chão ou suspenso pela boca, as chances de recuperação diminuem.
A qualidade do manejo depende da espécie, do tamanho do peixe, da temperatura da água, do tipo de anzol, da duração da briga e das condições do ambiente. Um tucunaré, um tambaqui, uma carpa e um peixe de couro não devem ser tratados exatamente da mesma maneira. Cada grupo apresenta resistência, formato corporal e vulnerabilidades diferentes.
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o sucesso do pesque e solte depende de um conjunto de fatores que envolve a espécie capturada, a tralha utilizada, o tempo de combate, o ambiente e o modo de manipulação. Por isso, a soltura precisa ser planejada como parte da pescaria, e não improvisada apenas depois da captura.
O que significa fazer um manejo correto?
O manejo correto é o conjunto de procedimentos utilizados para diminuir danos ao peixe durante a captura, a retirada do anzol, a fotografia, a recuperação e a devolução à água.
O manejo correto faz parte de uma pescaria responsável e ajuda a reduzir impactos desnecessários sobre o peixe durante a captura e a soltura. Para conhecer outros conceitos importantes da pesca esportiva, veja também glossário da pesca esportiva: termos e técnicas para pescadores.
Na prática, isso significa:
- encurtar a briga sem usar equipamento frágil;
- evitar que o peixe fique se debatendo sobre o solo;
- manter a pele e as escamas úmidas;
- retirar o anzol rapidamente;
- cortar a linha quando o anzol estiver profundamente engolido;
- apoiar o corpo de maneira horizontal;
- não tocar nos olhos e nas brânquias;
- reduzir ao mínimo o tempo fora da água;
- devolver o peixe em local seguro;
- observar se o animal consegue nadar sozinho.
Um manejo cuidadoso não elimina todos os riscos. Mesmo com boas práticas, alguns peixes podem sofrer consequências posteriores, especialmente quando a captura ocorre em condições adversas. O objetivo é reduzir o impacto e aumentar as possibilidades de recuperação.
A mortalidade pós-soltura pode ocorrer quando o peixe parece vivo no momento da devolução, mas não consegue se alimentar, manter o equilíbrio ou escapar de predadores depois. A NOAA Fisheries explica que estresse e lesões sofridos durante a captura ou o manuseio podem comprometer a sobrevivência em um momento posterior.

Por que o tempo fora da água é decisivo?
O peixe respira por meio das brânquias, estruturas delicadas que precisam permanecer úmidas e funcionar adequadamente para realizar as trocas gasosas. Fora da água, os filamentos branquiais podem perder umidade, aderir uns aos outros e sofrer danos.
Não existe um único limite universal aplicável a todas as espécies. Entretanto, quanto menor for a exposição ao ar, melhor tende a ser a recuperação. O Ministério da Pesca e Aquicultura recomenda retirar o animal apenas pelo tempo necessário para realizar a remoção do anzol e, quando possível, fazer todo o procedimento dentro da água.
Tempo recomendado para fotografias
A fotografia deve ser planejada antes de o peixe sair da água. A câmera ou o celular precisa estar preparado, com enquadramento definido e alguém responsável pelo registro.
Uma referência prática é:
| Situação | Tempo de exposição recomendado: |
|---|---|
| Retirada do anzol dentro da água | O menor possível |
| Peixe pequeno e resistente | Poucos segundos |
| Peixe grande ou muito cansado | Evitar retirar da água |
| Fotografia rápida | Preferencialmente menos de 20 segundos |
| Peixe em condição debilitada | Não fotografar fora da água |
| Animal capturado em calor intenso | Priorizar soltura imediata |
Cada espécie pode apresentar características próprias que precisam ser consideradas durante o manuseio, principalmente quando o objetivo é devolver o peixe à água em boas condições. Conheça também peixes redondos brasileiros: espécies, diferenças e curiosidades.
A NOAA recomenda manter a exposição ao ar abaixo de 60 segundos quando a retirada da água for inevitável, enquanto outras orientações da própria instituição sugerem um tempo ainda menor para fotografias, especialmente quando o peixe pode ser mantido parcialmente submerso.
A contagem deve considerar todo o período fora da água: levantar o peixe, ajustar a pose, limpar a lente, tirar várias fotos e devolvê-lo. O intervalo não começa apenas quando a câmera é acionada.
Como preparar o equipamento antes da captura?
O manejo começa na montagem. O pescador que pretende soltar os peixes precisa ter à mão os equipamentos que reduzem o tempo de manipulação.
Os itens mais úteis são:
- passaguá de borracha ou rede sem nós;
- alicate de bico longo;
- alicate de corte;
- removedor de anzol;
- alicate de contenção, quando adequado à espécie;
- tapete de manejo;
- balança apropriada;
- régua ou fita de medição;
- recipiente para manter ferramentas secas e acessíveis;
- câmera ou celular preparado.
O passaguá deve ser grande o suficiente para acomodar o peixe sem dobrar excessivamente o corpo. Redes com nós, malhas muito estreitas ou materiais ásperos podem prender as nadadeiras, remover muco e provocar abrasões.
A NOAA indica o uso de redes de malha macia, sem nós ou de borracha, pois esses modelos reduzem danos aos olhos, às nadadeiras, às escamas e à camada de muco protetor.
Como organizar a área de manejo?
A área próxima à margem ou dentro do barco deve estar livre de objetos cortantes, anzóis soltos, garrafas, pedras e superfícies secas. O passaguá precisa ficar aberto e o alicate deve estar ao alcance da mão dominante.
Quando o peixe é grande, é recomendável combinar previamente as funções:
- uma pessoa controla o peixe;
- outra remove o anzol;
- uma terceira faz a fotografia;
- todos sabem onde o animal será devolvido.
Essa organização evita que o exemplar fique exposto enquanto os pescadores decidem o que fazer. O improviso é um dos principais responsáveis por quedas, cortes e prolongamento desnecessário da manipulação.
Como escolher a tralha para reduzir o estresse?
O equipamento deve ser compatível com o tamanho dos peixes. Linhas muito finas podem tornar a briga excessivamente longa, levando o animal à exaustão.
A escolha do conjunto deve considerar:
- peso médio e máximo da espécie;
- presença de estruturas;
- resistência da linha;
- potência da vara;
- capacidade do molinete ou da carretilha;
- qualidade dos nós;
- resistência do anzol;
- necessidade de arremessos longos.
Uma vara muito fraca não proporciona necessariamente uma pescaria mais esportiva. Quando o peixe demora muitos minutos para ser controlado, aumenta o desgaste fisiológico e a dificuldade de recuperação.
A tabela abaixo apresenta uma orientação geral:
| Peixe ou situação? | Prioridade do equipamento | Cuidados adicionais |
|---|---|---|
| Tilápia e carpa média | Sensibilidade e delicadeza | Evitar rede áspera |
| Pacu e tambaqui | Potência moderada a pesada | Controlar arrancadas |
| Tambaqui gigante | Linha e líder resistentes | Usar passaguá amplo |
| Tucunaré | Vara com boa resposta | Apoiar o corpo horizontalmente |
| Peixe de couro | Equipamento forte e alicate adequado | Evitar levantar pelo anzol |
| Pesca próxima a estruturas | Controle imediato | Não permitir que a linha raspe |
A configuração deve permitir uma captura relativamente rápida, sem travar completamente o freio. O objetivo é equilibrar controle, segurança e capacidade de absorver as arrancadas.
Para quem está montando a tralha de manejo, kit de soltura para pesca esportiva com alicate, passaguá e removedor de anzol pode facilitar a organização dos itens necessários e reduzir improvisos durante a captura.
Como retirar o peixe da água
A retirada deve ser feita somente quando o peixe estiver controlado. Não se deve tentar agarrar um animal ainda se debatendo intensamente, pois isso aumenta a chance de queda e machucados.
O procedimento recomendado é:
- conduzir o peixe até a margem ou embarcação;
- manter a cabeça direcionada para o passaguá;
- evitar perseguições prolongadas;
- acomodar o corpo completamente dentro da rede;
- levantar o passaguá apoiando a parte inferior;
- manter o peixe próximo à água;
- realizar a remoção do anzol sem apertar o corpo.
Peixes maiores devem ser levantados com as duas mãos, apoiando a região próxima à cabeça e o abdômen ou a parte posterior do corpo. O corpo precisa permanecer na posição horizontal.
Por que não se deve suspender o peixe pela boca?
Suspender um peixe apenas pelo lábio ou pela boca concentra todo o peso em uma pequena região. Em exemplares grandes, isso pode causar lesões na mandíbula, deslocamentos e danos internos.
O procedimento é especialmente inadequado para:
- peixes pesados;
- espécies com corpo alto;
- peixes com mandíbula delicada;
- animais cansados;
- exemplares que serão fotografados por mais de alguns segundos.
A NOAA orienta que o peso de qualquer peixe retirado da água seja sustentado ao longo do corpo, nunca apenas pelo lábio ou pela boca.
O alicate de contenção também exige cautela. Ele pode ser útil para controlar peixes com boca resistente, mas não substitui o apoio corporal. A ferramenta deve ser fixada na região apropriada e utilizada apenas pelo tempo necessário.
Como manusear o peixe sem remover o muco protetor?
A pele dos peixes possui uma camada de muco que ajuda a proteger contra abrasões, microrganismos e alterações no equilíbrio superficial. O atrito excessivo, o uso de tecidos secos e o contato com o chão podem remover essa proteção.
Antes de tocar no peixe, as mãos devem ser molhadas. O mesmo vale para o tapete de manejo e a rede.
É necessário evitar:
- toalhas secas;
- luvas de algodão;
- panos ásperos;
- areia;
- concreto seco;
- madeira quente;
- grama coberta de terra;
- superfícies com óleo ou produtos químicos.
Luvas de borracha específicas podem ser utilizadas em determinadas situações, desde que estejam limpas, molhadas e não apresentem textura abrasiva. Para peixes escamados, mãos úmidas e delicadas geralmente são a opção mais simples.
O pescador nunca deve pressionar a região das brânquias. Além de ser uma área sensível, o contato pode provocar sangramento e comprometer a respiração.
Como retirar o anzol corretamente?
O anzol deve ser removido com o peixe dentro da água sempre que possível. O alicate de bico longo oferece maior distância entre a mão e a boca do animal, reduzindo o risco de cortes e facilitando a torção do anzol.
O procedimento pode seguir estas etapas:
- estabilizar o peixe dentro do passaguá;
- localizar a ponta e a farpa;
- identificar o sentido de entrada;
- segurar o anzol próximo à curva;
- aplicar pressão no sentido contrário à penetração;
- remover com movimento firme e controlado;
- conferir se não restaram partes presas;
- devolver o peixe sem prolongar a exposição.
Se a ponta estiver superficial, a retirada costuma ser simples. Quando o anzol está profundamente alojado, puxá-lo à força pode causar uma lesão muito maior.
O que fazer quando o anzol está engolido?
Quando o anzol está preso no esôfago, nas brânquias ou em uma região de difícil acesso, não se deve insistir em removê-lo sem visibilidade e ferramenta adequada.
A alternativa mais segura costuma ser cortar a linha o mais próximo possível do anzol e devolver o peixe. A NOAA recomenda esse procedimento quando um anzol engolido não pode ser retirado facilmente, pois tentar arrancá-lo pode provocar danos ainda mais graves.
A decisão deve considerar:
- profundidade da penetração;
- presença de sangramento;
- localização do anzol;
- espécie capturada;
- facilidade de acesso;
- risco de rasgar tecidos;
- regras do pesqueiro.
A perda de um anzol é menos grave do que causar uma lesão extensa ao animal. Sempre que o estabelecimento permitir, anzóis sem farpa ou com a farpa amassada tornam a soltura mais rápida.
Anzol com farpa ou sem farpa
O anzol sem farpa facilita a remoção e diminui o tempo de manipulação. Também reduz o dano quando ocorre um enrosco no passaguá, na roupa ou na mão do pescador.
A farpa pode ser amassada com um alicate, mas o procedimento deve ser feito de maneira uniforme. Um anzol danificado, torto ou com a ponta comprometida deve ser substituído.
| Tipo de anzol | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|
| Com farpa | Boa retenção durante a briga | Remoção mais demorada |
| Sem farpa | Soltura rápida e menor trauma | Exige controle constante da linha |
| Circular | Pode reduzir engates profundos em algumas técnicas | Nem sempre combina com toda isca |
| Simples reforçado | Fácil de manipular | Precisa ser compatível com o peixe |
| Garateia | Pode aumentar pontos de contato | Maior risco de enrosco e lesão |
A escolha também depende da regulamentação do pesqueiro. Alguns locais proíbem garateias, anzóis múltiplos ou determinados tipos de montagem.
Como recuperar o peixe antes da soltura?
Depois da retirada do anzol, o peixe pode apresentar respiração acelerada, perda de equilíbrio ou movimentos fracos. Nesse caso, não deve ser simplesmente largado na água.
O pescador precisa segurá-lo dentro da água, com a cabeça voltada para uma região de circulação suave. Em um rio, a corrente natural pode passar pelas brânquias. Em um lago ou pesqueiro, o peixe pode ser movimentado cuidadosamente para a frente, sem empurrá-lo para trás.
O movimento deve ser leve e contínuo. Não se deve arrastar o peixe rapidamente de um lado para o outro, pois isso pode lesionar as brânquias.
A recuperação pode ser acompanhada por sinais como:
- retorno do equilíbrio;
- fechamento e abertura regular da boca;
- movimentação normal das nadadeiras;
- tentativa de fuga;
- manutenção da posição sem tombar;
- natação ativa após a liberação.
Quando o peixe tenta escapar, o pescador deve abrir as mãos e permitir que ele nade. Segurá-lo por tempo excessivo após a recuperação aumenta a manipulação sem oferecer benefício.
Como agir com peixes muito cansados
Se o peixe não consegue permanecer na posição correta, o tempo de recuperação deve ser ampliado. A profundidade da água precisa ser suficiente para evitar que o animal fique exposto, mas não tão grande que impossibilite o controle.
Em locais com predadores, margens rasas e águas muito quentes, pode ser necessário escolher cuidadosamente o ponto de devolução. O animal deve ser liberado em uma área com abrigo e circulação adequada, sempre respeitando as regras do pesqueiro.
A literatura técnica brasileira observa que a sobrevivência após a soltura depende de fatores biológicos e ambientais, como temperatura, tipo de água, tempo de luta, características da espécie e presença de predadores.
Como fotografar o peixe sem colocar a soltura em risco
A fotografia precisa ser secundária em relação à recuperação do animal. O peixe não deve ser levantado enquanto ainda estiver se debatendo ou respirando com dificuldade.
Para uma foto mais segura:
- preparar a câmera antes de retirar o peixe;
- manter a pessoa fotografando posicionada;
- escolher um local sem obstáculos;
- molhar as mãos;
- segurar o peixe horizontalmente;
- manter o corpo próximo à água;
- fazer poucas imagens;
- devolver imediatamente.
A melhor fotografia não precisa mostrar o peixe completamente fora da água. Registros feitos com o animal parcialmente submerso preservam a captura e reduzem o risco de queda.
A NOAA recomenda preparar a câmera antes de levantar o peixe e manter o animal molhado, reforçando que nenhuma imagem justifica prolongar a exposição ao ar ou comprometer a sobrevivência do exemplar.
Manejo de espécies diferentes
O procedimento deve ser adaptado ao formato do peixe e ao tipo de captura.
Peixes escamados
Tambaquis, pacus, carpas, tilápias e outros peixes com escamas devem ser apoiados pelo ventre, sem apertar a região abdominal. A pele não deve entrar em contato com superfícies secas.
Em exemplares grandes, a sustentação horizontal é indispensável. O peixe não deve ser levantado apenas pelo lábio.
Peixes de couro
Pintados, cacharas, jundiás, barbados e outros peixes de couro podem possuir espinhos nas nadadeiras e estruturas capazes de ferir o pescador. O controle precisa ser firme, mas sem pressionar as brânquias.
O alicate deve ser utilizado com conhecimento, evitando apertar regiões sensíveis. O peixe também não deve ser arrastado pelo chão, pois sua pele pode sofrer abrasões.
Peixes com dentes ou espinhos
Traíras, piranhas, cachorras e espécies com dentição ou espinhos exigem alicate longo e maior distância entre a mão e a boca. Não se deve colocar os dedos dentro da cavidade oral para tentar imobilizar o peixe.
Em caso de dúvida, o pescador deve manter o animal dentro da água e solicitar ajuda de alguém experiente.
Quando a soltura precisa ser ainda mais rápida
Algumas condições aumentam o risco de dano:
- água muito quente;
- combate prolongado;
- peixe com sangramento intenso;
- anzol profundamente engolido;
- captura em área muito rasa;
- peixe que caiu no chão;
- exposição ao sol;
- captura de exemplar muito grande;
- animal com perda de equilíbrio;
- presença de predadores.
Nessas situações, a fotografia deve ser dispensada. O melhor procedimento é retirar o anzol ou cortar a linha, recuperar o peixe e devolvê-lo o mais rápido possível.
Não se deve tentar “reanimar” o peixe levantando-o repetidamente fora da água. O animal precisa permanecer submerso, com as brânquias recebendo água de maneira suave.
Como evitar quedas e acidentes durante o manejo
Peixes grandes podem se debater de forma inesperada. Por isso, a margem deve ser segura e o pescador precisa manter os joelhos flexionados, evitando segurar o animal em pé sobre pedras ou barrancos altos.
Em embarcações:
- manter o convés livre de objetos;
- usar tapete de manejo molhado;
- não se posicionar sobre a borda;
- pedir ajuda para peixes grandes;
- evitar levantar o exemplar acima da altura do peito;
- manter o passaguá apoiado;
- nunca passar o peixe de uma pessoa para outra sem necessidade.
Uma queda pode causar fraturas, lesões internas e perda de escamas. Em muitos casos, o dano acontece em poucos segundos, justamente quando o pescador tenta fazer uma fotografia mais elaborada.
Além do manejo após a captura, compreender o comportamento dos peixes diante das condições ambientais também ajuda o pescador a tomar decisões mais responsáveis durante a pescaria. Veja também pressão atmosférica na pesca: como ela muda o comportamento.
Como avaliar se o peixe pode ser devolvido?
A maioria dos peixes deve ser devolvida assim que o anzol for removido, desde que consiga manter o equilíbrio e respirar de maneira regular.
Antes da soltura, deve-se verificar:
| Sinal | Interpretação |
|---|---|
| Peixe mantém o corpo alinhado | Boa condição inicial |
| Nadadeiras movimentam-se normalmente | Recuperação em andamento |
| Respiração muito acelerada | Necessita mais tempo na água |
| Corpo tombando para o lado | Ainda não está pronto |
| Sangramento intenso | Situação de maior risco |
| Natação firme | Pode ser liberado |
| Tentativa de fuga | Sinal positivo de recuperação |
Esses sinais não garantem sobrevivência, mas ajudam a tomar uma decisão mais cuidadosa. O peixe deve ser liberado quando conseguir nadar por conta própria, sem ser empurrado ou abandonado ainda debilitado.
O que fazer quando o peixe está muito machucado
Se houver sangramento intenso, lesão nas brânquias, perda de escamas em grande área ou dificuldade persistente para nadar, o pescador deve informar a equipe do pesqueiro. O estabelecimento pode ter protocolos próprios ou profissionais capacitados para orientar o procedimento.
Não se deve aplicar substâncias caseiras, álcool, pomadas, gelo ou produtos não autorizados no corpo do peixe. Essas práticas podem agravar a lesão e alterar a qualidade da água.
Também não é recomendável manter o animal em baldes pequenos ou tanques improvisados por longos períodos. A falta de oxigenação, o calor e o contato com superfícies inadequadas aumentam o estresse.
Como tornar o catch and release mais eficiente
O melhor manejo é aquele que reduz decisões durante a captura. Antes de começar, o pescador deve revisar todo o processo mentalmente:
- onde o peixe será colocado;
- qual ferramenta será usada para retirar o anzol;
- onde está o passaguá;
- quem fará a fotografia;
- em qual ponto o peixe será devolvido;
- como será feita a recuperação;
- quais procedimentos serão adotados se o anzol estiver engolido.
Para quem pretende profissionalizar a rotina de pesca esportiva, tapete de manejo e passaguá de borracha para pesque e solte são acessórios que ajudam a proteger o peixe e tornam a operação mais rápida, especialmente com exemplares grandes.
A prática também melhora quando o pescador evita fazer várias fotografias, troca anzóis enferrujados, usa linhas em boas condições e escolhe equipamentos que permitam controlar o peixe sem prolongar a briga.
Erros mais comuns na soltura
Deixar o peixe no chão
Mesmo que a superfície pareça limpa, o contato pode remover muco, causar abrasões e contaminar ferimentos.
Segurar pelas brânquias
As brânquias são estruturas muito sensíveis. O toque pode provocar sangramento e comprometer a respiração.
Fotografar por tempo excessivo
Ajustar pose, chamar outras pessoas e tirar dezenas de fotos prolonga a exposição ao ar.
Levantar peixes grandes pela boca
O peso concentrado na mandíbula pode causar lesões e deformações.
Tentar arrancar anzol profundo
Quando a remoção não é simples, insistir pode produzir mais danos do que cortar a linha.
Usar rede com nós
A malha pode prender nadadeiras, remover escamas e dificultar a soltura.
Devolver o peixe sem recuperação
Um animal debilitado pode tombar, ficar exposto a predadores ou não conseguir respirar adequadamente.
Travar a briga por tempo demais
Equipamento muito leve pode transformar uma captura esportiva em exaustão extrema. A tralha precisa ser coerente com o peixe procurado.
Orientação profissional e responsabilidade
Este conteúdo apresenta boas práticas gerais de manejo e não substitui a orientação de biólogos, veterinários, órgãos ambientais, gestores de pesqueiros ou especialistas que conheçam a espécie e o local de pesca. Em situações de lesão grave, mortalidade recorrente ou dúvida sobre regras específicas, a equipe responsável pelo ambiente deve ser consultada.
A soltura também deve obedecer à legislação aplicável, às normas do pesqueiro e às regras de cada modalidade. Alguns ambientes determinam anzol sem farpa, proíbem garateias, restringem tipos de isca ou exigem o uso de determinados equipamentos.
Conclusão:
Soltar o peixe corretamente exige planejamento, rapidez e respeito à anatomia do animal. O pescador deve começar pela escolha de uma tralha compatível, seguir com uma briga controlada e concluir com a retirada cuidadosa do anzol, o mínimo tempo fora da água e uma recuperação adequada antes da devolução.
As atitudes mais relevantes são simples: molhar as mãos, usar uma rede sem nós, não tocar nas brânquias, apoiar o peixe horizontalmente, cortar a linha quando o anzol estiver profundamente preso e abandonar a fotografia quando o animal estiver cansado ou ferido. Pequenas decisões feitas durante os primeiros segundos podem influenciar a recuperação nas horas seguintes.
O catch and release bem executado não transforma a pesca em uma atividade sem impacto, mas reduz consideravelmente os riscos associados à captura. O resultado depende do conjunto de procedimentos, e não de um único acessório ou de uma regra isolada.
Quando o peixe é tratado com cuidado, a soltura se torna mais do que o encerramento da pescaria. Ela preserva a possibilidade de o animal continuar crescendo, reproduzindo-se e proporcionando novas capturas, além de reforçar uma relação mais responsável entre o pescador e o ambiente aquático.
FAQ – Perguntas Frequentes
Qual é a forma correta de segurar um peixe para soltá-lo?
O peixe deve ser segurado com as mãos molhadas, mantido próximo à água e apoiado horizontalmente. Uma mão sustenta a região dianteira, sem tocar nas brânquias, e a outra apoia o ventre ou a parte posterior do corpo.
Quanto tempo o peixe pode ficar fora da água?
O tempo deve ser o menor possível. Para uma fotografia rápida, recomenda-se trabalhar com poucos segundos e, quando a retirada for inevitável, evitar ultrapassar aproximadamente 60 segundos. Peixes debilitados devem permanecer dentro da água.
O que fazer quando o anzol está engolido?
Se o anzol estiver profundamente preso e não puder ser retirado facilmente, o mais seguro costuma ser cortar a linha o mais próximo possível do anzol. Forçar a remoção pode causar lesões maiores.
É necessário usar passaguá no pesque e solte?
Para peixes pequenos, nem sempre. Para exemplares médios e grandes, o passaguá de borracha ou sem nós reduz quedas, abrasões e danos durante a retirada, além de facilitar o controle do animal.
Como saber se o peixe está pronto para ser solto?
O peixe deve manter o corpo alinhado, respirar de maneira regular, movimentar as nadadeiras e conseguir nadar por conta própria. Se estiver tombando ou sem força, precisa permanecer na água para recuperação.
Nota de transparência: “Como associado do Mercado Livre, recebo comissão por compras qualificadas feitas por meio dos links deste artigo, sem nenhum custo adicional para você.”

Marcelo Mello é apaixonado por pesca, natureza e aventura. No Guia Pesca e Lazer, compartilha experiências, dicas práticas, avaliações de equipamentos e conteúdos voltados ao universo da pesca esportiva e lazer outdoor.
