Como soltar o peixe corretamente durante o manejo de catch and release.

Como soltar o peixe corretamente: manejo no catch and release.

Dicas e Técnicas de Pesca

Como soltar o peixe corretamente no catch and release, o pescador deve reduzir o tempo de briga, manter as mãos molhadas, evitar tocar nas brânquias, retirar o anzol com o mínimo de manipulação e devolver o animal à água somente quando ele recuperar o equilíbrio e nadar por conta própria. O procedimento começa antes da fisgada, com equipamento adequado, passaguá seguro e ferramentas de soltura prontamente disponíveis.

O pesque e solte não consiste apenas em devolver o peixe à água. A captura pode provocar exaustão, perda de muco protetor, lesões na boca, danos nas nadadeiras, dificuldade respiratória e estresse fisiológico. Quando o animal é fotografado por muito tempo, arrastado no chão ou suspenso pela boca, as chances de recuperação diminuem.

A qualidade do manejo depende da espécie, do tamanho do peixe, da temperatura da água, do tipo de anzol, da duração da briga e das condições do ambiente. Um tucunaré, um tambaqui, uma carpa e um peixe de couro não devem ser tratados exatamente da mesma maneira. Cada grupo apresenta resistência, formato corporal e vulnerabilidades diferentes.

Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o sucesso do pesque e solte depende de um conjunto de fatores que envolve a espécie capturada, a tralha utilizada, o tempo de combate, o ambiente e o modo de manipulação. Por isso, a soltura precisa ser planejada como parte da pescaria, e não improvisada apenas depois da captura.

Sumário

O que significa fazer um manejo correto?

O manejo correto é o conjunto de procedimentos utilizados para diminuir danos ao peixe durante a captura, a retirada do anzol, a fotografia, a recuperação e a devolução à água.

O manejo correto faz parte de uma pescaria responsável e ajuda a reduzir impactos desnecessários sobre o peixe durante a captura e a soltura. Para conhecer outros conceitos importantes da pesca esportiva, veja também glossário da pesca esportiva: termos e técnicas para pescadores.

Na prática, isso significa:

  • encurtar a briga sem usar equipamento frágil;
  • evitar que o peixe fique se debatendo sobre o solo;
  • manter a pele e as escamas úmidas;
  • retirar o anzol rapidamente;
  • cortar a linha quando o anzol estiver profundamente engolido;
  • apoiar o corpo de maneira horizontal;
  • não tocar nos olhos e nas brânquias;
  • reduzir ao mínimo o tempo fora da água;
  • devolver o peixe em local seguro;
  • observar se o animal consegue nadar sozinho.

Um manejo cuidadoso não elimina todos os riscos. Mesmo com boas práticas, alguns peixes podem sofrer consequências posteriores, especialmente quando a captura ocorre em condições adversas. O objetivo é reduzir o impacto e aumentar as possibilidades de recuperação.

A mortalidade pós-soltura pode ocorrer quando o peixe parece vivo no momento da devolução, mas não consegue se alimentar, manter o equilíbrio ou escapar de predadores depois. A NOAA Fisheries explica que estresse e lesões sofridos durante a captura ou o manuseio podem comprometer a sobrevivência em um momento posterior.

Como soltar o peixe corretamente.

Por que o tempo fora da água é decisivo?

O peixe respira por meio das brânquias, estruturas delicadas que precisam permanecer úmidas e funcionar adequadamente para realizar as trocas gasosas. Fora da água, os filamentos branquiais podem perder umidade, aderir uns aos outros e sofrer danos.

Não existe um único limite universal aplicável a todas as espécies. Entretanto, quanto menor for a exposição ao ar, melhor tende a ser a recuperação. O Ministério da Pesca e Aquicultura recomenda retirar o animal apenas pelo tempo necessário para realizar a remoção do anzol e, quando possível, fazer todo o procedimento dentro da água.

Tempo recomendado para fotografias

A fotografia deve ser planejada antes de o peixe sair da água. A câmera ou o celular precisa estar preparado, com enquadramento definido e alguém responsável pelo registro.

Uma referência prática é:

SituaçãoTempo de exposição recomendado:
Retirada do anzol dentro da águaO menor possível
Peixe pequeno e resistentePoucos segundos
Peixe grande ou muito cansadoEvitar retirar da água
Fotografia rápidaPreferencialmente menos de 20 segundos
Peixe em condição debilitadaNão fotografar fora da água
Animal capturado em calor intensoPriorizar soltura imediata

Cada espécie pode apresentar características próprias que precisam ser consideradas durante o manuseio, principalmente quando o objetivo é devolver o peixe à água em boas condições. Conheça também peixes redondos brasileiros: espécies, diferenças e curiosidades.

A NOAA recomenda manter a exposição ao ar abaixo de 60 segundos quando a retirada da água for inevitável, enquanto outras orientações da própria instituição sugerem um tempo ainda menor para fotografias, especialmente quando o peixe pode ser mantido parcialmente submerso.

A contagem deve considerar todo o período fora da água: levantar o peixe, ajustar a pose, limpar a lente, tirar várias fotos e devolvê-lo. O intervalo não começa apenas quando a câmera é acionada.

Como preparar o equipamento antes da captura?

O manejo começa na montagem. O pescador que pretende soltar os peixes precisa ter à mão os equipamentos que reduzem o tempo de manipulação.

Os itens mais úteis são:

  • passaguá de borracha ou rede sem nós;
  • alicate de bico longo;
  • alicate de corte;
  • removedor de anzol;
  • alicate de contenção, quando adequado à espécie;
  • tapete de manejo;
  • balança apropriada;
  • régua ou fita de medição;
  • recipiente para manter ferramentas secas e acessíveis;
  • câmera ou celular preparado.

O passaguá deve ser grande o suficiente para acomodar o peixe sem dobrar excessivamente o corpo. Redes com nós, malhas muito estreitas ou materiais ásperos podem prender as nadadeiras, remover muco e provocar abrasões.

A NOAA indica o uso de redes de malha macia, sem nós ou de borracha, pois esses modelos reduzem danos aos olhos, às nadadeiras, às escamas e à camada de muco protetor.

Como organizar a área de manejo?

A área próxima à margem ou dentro do barco deve estar livre de objetos cortantes, anzóis soltos, garrafas, pedras e superfícies secas. O passaguá precisa ficar aberto e o alicate deve estar ao alcance da mão dominante.

Quando o peixe é grande, é recomendável combinar previamente as funções:

  • uma pessoa controla o peixe;
  • outra remove o anzol;
  • uma terceira faz a fotografia;
  • todos sabem onde o animal será devolvido.

Essa organização evita que o exemplar fique exposto enquanto os pescadores decidem o que fazer. O improviso é um dos principais responsáveis por quedas, cortes e prolongamento desnecessário da manipulação.

Como escolher a tralha para reduzir o estresse?

O equipamento deve ser compatível com o tamanho dos peixes. Linhas muito finas podem tornar a briga excessivamente longa, levando o animal à exaustão.

A escolha do conjunto deve considerar:

  • peso médio e máximo da espécie;
  • presença de estruturas;
  • resistência da linha;
  • potência da vara;
  • capacidade do molinete ou da carretilha;
  • qualidade dos nós;
  • resistência do anzol;
  • necessidade de arremessos longos.

Uma vara muito fraca não proporciona necessariamente uma pescaria mais esportiva. Quando o peixe demora muitos minutos para ser controlado, aumenta o desgaste fisiológico e a dificuldade de recuperação.

A tabela abaixo apresenta uma orientação geral:

Peixe ou situação?Prioridade do equipamentoCuidados adicionais
Tilápia e carpa médiaSensibilidade e delicadezaEvitar rede áspera
Pacu e tambaquiPotência moderada a pesadaControlar arrancadas
Tambaqui giganteLinha e líder resistentesUsar passaguá amplo
TucunaréVara com boa respostaApoiar o corpo horizontalmente
Peixe de couroEquipamento forte e alicate adequadoEvitar levantar pelo anzol
Pesca próxima a estruturasControle imediatoNão permitir que a linha raspe

A configuração deve permitir uma captura relativamente rápida, sem travar completamente o freio. O objetivo é equilibrar controle, segurança e capacidade de absorver as arrancadas.

Para quem está montando a tralha de manejo, kit de soltura para pesca esportiva com alicate, passaguá e removedor de anzol pode facilitar a organização dos itens necessários e reduzir improvisos durante a captura.

Como retirar o peixe da água

A retirada deve ser feita somente quando o peixe estiver controlado. Não se deve tentar agarrar um animal ainda se debatendo intensamente, pois isso aumenta a chance de queda e machucados.

O procedimento recomendado é:

  1. conduzir o peixe até a margem ou embarcação;
  2. manter a cabeça direcionada para o passaguá;
  3. evitar perseguições prolongadas;
  4. acomodar o corpo completamente dentro da rede;
  5. levantar o passaguá apoiando a parte inferior;
  6. manter o peixe próximo à água;
  7. realizar a remoção do anzol sem apertar o corpo.

Peixes maiores devem ser levantados com as duas mãos, apoiando a região próxima à cabeça e o abdômen ou a parte posterior do corpo. O corpo precisa permanecer na posição horizontal.

Por que não se deve suspender o peixe pela boca?

Suspender um peixe apenas pelo lábio ou pela boca concentra todo o peso em uma pequena região. Em exemplares grandes, isso pode causar lesões na mandíbula, deslocamentos e danos internos.

O procedimento é especialmente inadequado para:

  • peixes pesados;
  • espécies com corpo alto;
  • peixes com mandíbula delicada;
  • animais cansados;
  • exemplares que serão fotografados por mais de alguns segundos.

A NOAA orienta que o peso de qualquer peixe retirado da água seja sustentado ao longo do corpo, nunca apenas pelo lábio ou pela boca.

O alicate de contenção também exige cautela. Ele pode ser útil para controlar peixes com boca resistente, mas não substitui o apoio corporal. A ferramenta deve ser fixada na região apropriada e utilizada apenas pelo tempo necessário.

Como manusear o peixe sem remover o muco protetor?

A pele dos peixes possui uma camada de muco que ajuda a proteger contra abrasões, microrganismos e alterações no equilíbrio superficial. O atrito excessivo, o uso de tecidos secos e o contato com o chão podem remover essa proteção.

Antes de tocar no peixe, as mãos devem ser molhadas. O mesmo vale para o tapete de manejo e a rede.

É necessário evitar:

  • toalhas secas;
  • luvas de algodão;
  • panos ásperos;
  • areia;
  • concreto seco;
  • madeira quente;
  • grama coberta de terra;
  • superfícies com óleo ou produtos químicos.

Luvas de borracha específicas podem ser utilizadas em determinadas situações, desde que estejam limpas, molhadas e não apresentem textura abrasiva. Para peixes escamados, mãos úmidas e delicadas geralmente são a opção mais simples.

O pescador nunca deve pressionar a região das brânquias. Além de ser uma área sensível, o contato pode provocar sangramento e comprometer a respiração.

Como retirar o anzol corretamente?

O anzol deve ser removido com o peixe dentro da água sempre que possível. O alicate de bico longo oferece maior distância entre a mão e a boca do animal, reduzindo o risco de cortes e facilitando a torção do anzol.

O procedimento pode seguir estas etapas:

  1. estabilizar o peixe dentro do passaguá;
  2. localizar a ponta e a farpa;
  3. identificar o sentido de entrada;
  4. segurar o anzol próximo à curva;
  5. aplicar pressão no sentido contrário à penetração;
  6. remover com movimento firme e controlado;
  7. conferir se não restaram partes presas;
  8. devolver o peixe sem prolongar a exposição.

Se a ponta estiver superficial, a retirada costuma ser simples. Quando o anzol está profundamente alojado, puxá-lo à força pode causar uma lesão muito maior.

O que fazer quando o anzol está engolido?

Quando o anzol está preso no esôfago, nas brânquias ou em uma região de difícil acesso, não se deve insistir em removê-lo sem visibilidade e ferramenta adequada.

A alternativa mais segura costuma ser cortar a linha o mais próximo possível do anzol e devolver o peixe. A NOAA recomenda esse procedimento quando um anzol engolido não pode ser retirado facilmente, pois tentar arrancá-lo pode provocar danos ainda mais graves.

A decisão deve considerar:

  • profundidade da penetração;
  • presença de sangramento;
  • localização do anzol;
  • espécie capturada;
  • facilidade de acesso;
  • risco de rasgar tecidos;
  • regras do pesqueiro.

A perda de um anzol é menos grave do que causar uma lesão extensa ao animal. Sempre que o estabelecimento permitir, anzóis sem farpa ou com a farpa amassada tornam a soltura mais rápida.

Anzol com farpa ou sem farpa

O anzol sem farpa facilita a remoção e diminui o tempo de manipulação. Também reduz o dano quando ocorre um enrosco no passaguá, na roupa ou na mão do pescador.

A farpa pode ser amassada com um alicate, mas o procedimento deve ser feito de maneira uniforme. Um anzol danificado, torto ou com a ponta comprometida deve ser substituído.

Tipo de anzolVantagensLimitações
Com farpaBoa retenção durante a brigaRemoção mais demorada
Sem farpaSoltura rápida e menor traumaExige controle constante da linha
CircularPode reduzir engates profundos em algumas técnicasNem sempre combina com toda isca
Simples reforçadoFácil de manipularPrecisa ser compatível com o peixe
GarateiaPode aumentar pontos de contatoMaior risco de enrosco e lesão

A escolha também depende da regulamentação do pesqueiro. Alguns locais proíbem garateias, anzóis múltiplos ou determinados tipos de montagem.

Como recuperar o peixe antes da soltura?

Depois da retirada do anzol, o peixe pode apresentar respiração acelerada, perda de equilíbrio ou movimentos fracos. Nesse caso, não deve ser simplesmente largado na água.

O pescador precisa segurá-lo dentro da água, com a cabeça voltada para uma região de circulação suave. Em um rio, a corrente natural pode passar pelas brânquias. Em um lago ou pesqueiro, o peixe pode ser movimentado cuidadosamente para a frente, sem empurrá-lo para trás.

O movimento deve ser leve e contínuo. Não se deve arrastar o peixe rapidamente de um lado para o outro, pois isso pode lesionar as brânquias.

A recuperação pode ser acompanhada por sinais como:

  • retorno do equilíbrio;
  • fechamento e abertura regular da boca;
  • movimentação normal das nadadeiras;
  • tentativa de fuga;
  • manutenção da posição sem tombar;
  • natação ativa após a liberação.

Quando o peixe tenta escapar, o pescador deve abrir as mãos e permitir que ele nade. Segurá-lo por tempo excessivo após a recuperação aumenta a manipulação sem oferecer benefício.

Como agir com peixes muito cansados

Se o peixe não consegue permanecer na posição correta, o tempo de recuperação deve ser ampliado. A profundidade da água precisa ser suficiente para evitar que o animal fique exposto, mas não tão grande que impossibilite o controle.

Em locais com predadores, margens rasas e águas muito quentes, pode ser necessário escolher cuidadosamente o ponto de devolução. O animal deve ser liberado em uma área com abrigo e circulação adequada, sempre respeitando as regras do pesqueiro.

A literatura técnica brasileira observa que a sobrevivência após a soltura depende de fatores biológicos e ambientais, como temperatura, tipo de água, tempo de luta, características da espécie e presença de predadores.

Como fotografar o peixe sem colocar a soltura em risco

A fotografia precisa ser secundária em relação à recuperação do animal. O peixe não deve ser levantado enquanto ainda estiver se debatendo ou respirando com dificuldade.

Para uma foto mais segura:

  • preparar a câmera antes de retirar o peixe;
  • manter a pessoa fotografando posicionada;
  • escolher um local sem obstáculos;
  • molhar as mãos;
  • segurar o peixe horizontalmente;
  • manter o corpo próximo à água;
  • fazer poucas imagens;
  • devolver imediatamente.

A melhor fotografia não precisa mostrar o peixe completamente fora da água. Registros feitos com o animal parcialmente submerso preservam a captura e reduzem o risco de queda.

A NOAA recomenda preparar a câmera antes de levantar o peixe e manter o animal molhado, reforçando que nenhuma imagem justifica prolongar a exposição ao ar ou comprometer a sobrevivência do exemplar.

Manejo de espécies diferentes

O procedimento deve ser adaptado ao formato do peixe e ao tipo de captura.

Peixes escamados

Tambaquis, pacus, carpas, tilápias e outros peixes com escamas devem ser apoiados pelo ventre, sem apertar a região abdominal. A pele não deve entrar em contato com superfícies secas.

Em exemplares grandes, a sustentação horizontal é indispensável. O peixe não deve ser levantado apenas pelo lábio.

Peixes de couro

Pintados, cacharas, jundiás, barbados e outros peixes de couro podem possuir espinhos nas nadadeiras e estruturas capazes de ferir o pescador. O controle precisa ser firme, mas sem pressionar as brânquias.

O alicate deve ser utilizado com conhecimento, evitando apertar regiões sensíveis. O peixe também não deve ser arrastado pelo chão, pois sua pele pode sofrer abrasões.

Peixes com dentes ou espinhos

Traíras, piranhas, cachorras e espécies com dentição ou espinhos exigem alicate longo e maior distância entre a mão e a boca. Não se deve colocar os dedos dentro da cavidade oral para tentar imobilizar o peixe.

Em caso de dúvida, o pescador deve manter o animal dentro da água e solicitar ajuda de alguém experiente.

Quando a soltura precisa ser ainda mais rápida

Algumas condições aumentam o risco de dano:

  • água muito quente;
  • combate prolongado;
  • peixe com sangramento intenso;
  • anzol profundamente engolido;
  • captura em área muito rasa;
  • peixe que caiu no chão;
  • exposição ao sol;
  • captura de exemplar muito grande;
  • animal com perda de equilíbrio;
  • presença de predadores.

Nessas situações, a fotografia deve ser dispensada. O melhor procedimento é retirar o anzol ou cortar a linha, recuperar o peixe e devolvê-lo o mais rápido possível.

Não se deve tentar “reanimar” o peixe levantando-o repetidamente fora da água. O animal precisa permanecer submerso, com as brânquias recebendo água de maneira suave.

Como evitar quedas e acidentes durante o manejo

Peixes grandes podem se debater de forma inesperada. Por isso, a margem deve ser segura e o pescador precisa manter os joelhos flexionados, evitando segurar o animal em pé sobre pedras ou barrancos altos.

Em embarcações:

  • manter o convés livre de objetos;
  • usar tapete de manejo molhado;
  • não se posicionar sobre a borda;
  • pedir ajuda para peixes grandes;
  • evitar levantar o exemplar acima da altura do peito;
  • manter o passaguá apoiado;
  • nunca passar o peixe de uma pessoa para outra sem necessidade.

Uma queda pode causar fraturas, lesões internas e perda de escamas. Em muitos casos, o dano acontece em poucos segundos, justamente quando o pescador tenta fazer uma fotografia mais elaborada.

Além do manejo após a captura, compreender o comportamento dos peixes diante das condições ambientais também ajuda o pescador a tomar decisões mais responsáveis durante a pescaria. Veja também pressão atmosférica na pesca: como ela muda o comportamento.

Como avaliar se o peixe pode ser devolvido?

A maioria dos peixes deve ser devolvida assim que o anzol for removido, desde que consiga manter o equilíbrio e respirar de maneira regular.

Antes da soltura, deve-se verificar:

SinalInterpretação
Peixe mantém o corpo alinhadoBoa condição inicial
Nadadeiras movimentam-se normalmenteRecuperação em andamento
Respiração muito aceleradaNecessita mais tempo na água
Corpo tombando para o ladoAinda não está pronto
Sangramento intensoSituação de maior risco
Natação firmePode ser liberado
Tentativa de fugaSinal positivo de recuperação

Esses sinais não garantem sobrevivência, mas ajudam a tomar uma decisão mais cuidadosa. O peixe deve ser liberado quando conseguir nadar por conta própria, sem ser empurrado ou abandonado ainda debilitado.

O que fazer quando o peixe está muito machucado

Se houver sangramento intenso, lesão nas brânquias, perda de escamas em grande área ou dificuldade persistente para nadar, o pescador deve informar a equipe do pesqueiro. O estabelecimento pode ter protocolos próprios ou profissionais capacitados para orientar o procedimento.

Não se deve aplicar substâncias caseiras, álcool, pomadas, gelo ou produtos não autorizados no corpo do peixe. Essas práticas podem agravar a lesão e alterar a qualidade da água.

Também não é recomendável manter o animal em baldes pequenos ou tanques improvisados por longos períodos. A falta de oxigenação, o calor e o contato com superfícies inadequadas aumentam o estresse.

Como tornar o catch and release mais eficiente

O melhor manejo é aquele que reduz decisões durante a captura. Antes de começar, o pescador deve revisar todo o processo mentalmente:

  1. onde o peixe será colocado;
  2. qual ferramenta será usada para retirar o anzol;
  3. onde está o passaguá;
  4. quem fará a fotografia;
  5. em qual ponto o peixe será devolvido;
  6. como será feita a recuperação;
  7. quais procedimentos serão adotados se o anzol estiver engolido.

Para quem pretende profissionalizar a rotina de pesca esportiva, tapete de manejo e passaguá de borracha para pesque e solte são acessórios que ajudam a proteger o peixe e tornam a operação mais rápida, especialmente com exemplares grandes.

A prática também melhora quando o pescador evita fazer várias fotografias, troca anzóis enferrujados, usa linhas em boas condições e escolhe equipamentos que permitam controlar o peixe sem prolongar a briga.

Erros mais comuns na soltura

Deixar o peixe no chão

Mesmo que a superfície pareça limpa, o contato pode remover muco, causar abrasões e contaminar ferimentos.

Segurar pelas brânquias

As brânquias são estruturas muito sensíveis. O toque pode provocar sangramento e comprometer a respiração.

Fotografar por tempo excessivo

Ajustar pose, chamar outras pessoas e tirar dezenas de fotos prolonga a exposição ao ar.

Levantar peixes grandes pela boca

O peso concentrado na mandíbula pode causar lesões e deformações.

Tentar arrancar anzol profundo

Quando a remoção não é simples, insistir pode produzir mais danos do que cortar a linha.

Usar rede com nós

A malha pode prender nadadeiras, remover escamas e dificultar a soltura.

Devolver o peixe sem recuperação

Um animal debilitado pode tombar, ficar exposto a predadores ou não conseguir respirar adequadamente.

Travar a briga por tempo demais

Equipamento muito leve pode transformar uma captura esportiva em exaustão extrema. A tralha precisa ser coerente com o peixe procurado.

Orientação profissional e responsabilidade

Este conteúdo apresenta boas práticas gerais de manejo e não substitui a orientação de biólogos, veterinários, órgãos ambientais, gestores de pesqueiros ou especialistas que conheçam a espécie e o local de pesca. Em situações de lesão grave, mortalidade recorrente ou dúvida sobre regras específicas, a equipe responsável pelo ambiente deve ser consultada.

A soltura também deve obedecer à legislação aplicável, às normas do pesqueiro e às regras de cada modalidade. Alguns ambientes determinam anzol sem farpa, proíbem garateias, restringem tipos de isca ou exigem o uso de determinados equipamentos.

Conclusão:

Soltar o peixe corretamente exige planejamento, rapidez e respeito à anatomia do animal. O pescador deve começar pela escolha de uma tralha compatível, seguir com uma briga controlada e concluir com a retirada cuidadosa do anzol, o mínimo tempo fora da água e uma recuperação adequada antes da devolução.

As atitudes mais relevantes são simples: molhar as mãos, usar uma rede sem nós, não tocar nas brânquias, apoiar o peixe horizontalmente, cortar a linha quando o anzol estiver profundamente preso e abandonar a fotografia quando o animal estiver cansado ou ferido. Pequenas decisões feitas durante os primeiros segundos podem influenciar a recuperação nas horas seguintes.

O catch and release bem executado não transforma a pesca em uma atividade sem impacto, mas reduz consideravelmente os riscos associados à captura. O resultado depende do conjunto de procedimentos, e não de um único acessório ou de uma regra isolada.

Quando o peixe é tratado com cuidado, a soltura se torna mais do que o encerramento da pescaria. Ela preserva a possibilidade de o animal continuar crescendo, reproduzindo-se e proporcionando novas capturas, além de reforçar uma relação mais responsável entre o pescador e o ambiente aquático.

FAQ – Perguntas Frequentes

Qual é a forma correta de segurar um peixe para soltá-lo?

O peixe deve ser segurado com as mãos molhadas, mantido próximo à água e apoiado horizontalmente. Uma mão sustenta a região dianteira, sem tocar nas brânquias, e a outra apoia o ventre ou a parte posterior do corpo.

Quanto tempo o peixe pode ficar fora da água?

O tempo deve ser o menor possível. Para uma fotografia rápida, recomenda-se trabalhar com poucos segundos e, quando a retirada for inevitável, evitar ultrapassar aproximadamente 60 segundos. Peixes debilitados devem permanecer dentro da água.

O que fazer quando o anzol está engolido?

Se o anzol estiver profundamente preso e não puder ser retirado facilmente, o mais seguro costuma ser cortar a linha o mais próximo possível do anzol. Forçar a remoção pode causar lesões maiores.

É necessário usar passaguá no pesque e solte?

Para peixes pequenos, nem sempre. Para exemplares médios e grandes, o passaguá de borracha ou sem nós reduz quedas, abrasões e danos durante a retirada, além de facilitar o controle do animal.

Como saber se o peixe está pronto para ser solto?

O peixe deve manter o corpo alinhado, respirar de maneira regular, movimentar as nadadeiras e conseguir nadar por conta própria. Se estiver tombando ou sem força, precisa permanecer na água para recuperação.

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